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Aconteceu comigo

  • Foto do escritor: Chris Joy
    Chris Joy
  • 3 de ago. de 2018
  • 4 min de leitura

Atualizado: 23 de ago. de 2018

29 de Abril de 2017.

E como num piscar de olhos, tudo mudou.




34 anos. Eu sabia que estava partindo. A gente vê o antes (toda a nossa história passa como uma fração de segundos pela mente), vê o depois (todos os sonhos que vamos deixar de construir) e entende que o poder da vida não está em nossas mãos.


Dava pra sentir a dor forte na coluna e minha respiração lenta. Não me lembro de sentir minhas pernas. Minha testa ardia. Meu mundo parou. "Não acredito que sofri um acidente! É sério isso?! Foi tudo tão rápido!"

Naquele momento presa nas ferragens eu estava ouvindo a voz bem audível do meu Salvador , meu Jesus. Digamos que estávamos tendo um diálogo... Ledo engano achar que Ele está distante de nós. Está mais perto do que eu imaginava. "Meu amado" ouviu o clamor de uma mãe e o desejo de reorganizar toda minha história.





A ambulância chegou. Eu sabia que se eu saísse do carro, uma chance teria sido me dada e eu ia fazer valer a pena cada segundo.


Hospital de Barreiros. Deslocamento pra Recife. Hospital da Restauração.

Não foi fácil aguentar a dor massacrante na coluna, sensação que ía sofrer lesões sérias; os vômitos constantes me lembraram que quando batemos forte a cabeça e vomitamos é sinal que algo não está muito bem. Não havia nada pra fazer, só confiar. A vida escorre pelos dedos e você não consegue contê-la em si.


A voz trêmula do meu irmão, junto com a declaração que me amava e que daria tudo certo no final me deram coragem de ficar acordada, mas eu sabia que algo de muito grave tinha ocorrido. Tremi por dentro.


Cheguei na Restauração.

A cena ao descer da ambulância não deve ter sido fácil pras minhas primas e tios que aguardavam a minha chegada. Corações acelerados e a respiração ofegante, o quadro era mais grave do que relataram. Havia risco de morte pela gravidade da pancada.

Raio x, ultrassonografias, exames e mais exames, espera na maca.


Apesar da voz embargada e trêmula das minhas primas, tê-las por perto era um porto seguro. Crescemos juntas, brincamos, paqueramos, bebemos todas, e dividimos uma vida... É incrível como só nessas horas nos damos conta de tudo que o dinheiro não compra: Amor recíproco.




A cirurgia no rosto durou pouco mais de duas horas. Fui ponteada com linha de cirurgia plástica. Milinho (médico da família) segurava minha mão de um lado e David do outro. Eu estava bem assistida. 44 pontos no lado esquerdo do rosto e alguns pontos no olho.





A ala vermelha de observação é um martírio. Entra e sai gente e às vezes a administração (enfermeiros e maqueiros) é própria (interna). Tenho certeza que houve dias melhores, mas aquele ali, pra mim durou uma eternidade. Não havia fralda pra me trocar, não houve assistência pra limpar os vidros espalhados em meu corpo, e uma forte má vontade de alguns enfermeiros em me dar banho.


Passou. E como eu contei as horas daquela "noite de observação!"

9 horas até que minha prima Dani ("porreta") rompeu as portas da ala de observação, cativou a atenção dos enfermeiros e saiu agilizando tudo! Me deu banho, me trocou e me deixou pronta para ser transferida pra um quarto. Acredito que se ela tivesse um jaleco ali na hora, até tinha operado! kkkkkkk


Eu ía ser transferida? Caramba, tinha gente ali esperando uma vaga havia mais de 45 dias. Eu olhei pra cima (temos o hábito de olhar pra cima quando vamos falar com Deus) só podia ser o dedo dEle.





Minha tia Lúcia foi minha acompanhante na ala de recuperação. Com meus pais fora (mainha morando no exterior e painho em Petrolina - férias) ela se dispôs a estar comigo todo o tempo. Faltava só "um bendito" de um colete para eu sair de alta, e como era feriado (dia 01 de Maio) era impossível achar médicos de plantão. Eu tinha que esperar...

Mas só que era Tia Lúcia quem estava lá... e moveu "mundos e fundos", e finalmente o colete saiu, junto com o papel de alta logo cedo de manhã. Não deu nem tempo de curtir a comida do hospital!





Eu parecia a noiva de Chuck, toda "malamanhada" precisando de um banho e uma cama. E foi exatamente isso que eu consegui na casa de Dani. O banho de corpo foi restaurador.


Fui direto pra casa de painho e Gleise pra que me recuperasse dia após dia.

O processo não foi fácil, tive que reaprender a andar, pois além de desmaiar, a dor era fina e forte a ponto de me fazer chorar. O processo foi lento, mas a força de vontade surgia como foco e determinação... eu tinha que fazer isso... tinha que aprender a ter paciência e fé, eu ía vencer cada etapa, não aceitava menos do que isso! Não deixei de dar minhas "gaitadas" apesar de refletir bastante "o porque" de tudo aquilo.


Eu havia entrado naquele carro pelas razões erradas, os sentimentos estavam distorcendo meus valores e eu não estava sendo fiel a mim mesma... já não mais me cabia as guerras de algo que eu estava envolvida. E sabia que mais cedo ou mais tarde eu tinha que deixar partir...


Hoje eu percebo o quanto cada processo, cada etapa tinha que acontecer comigo. Tenho caráter forte pelos valores que decidi não abrir mão. Tenho personalidade singular pelas lutas que enfrentei e superei. Tenho uma linda história pra contar porque apesar dos erros eu entendi que tudo conspirava ao meu favor e decidi aprender as lições da vida sempre refazendo os sonhos.


Moro numa cidade linda, fruto de uma coragem que me fez abandonar tudo e reorganizar meu estado de espírito, lutando pra valer pelos sonhos que me motivam a sair da cama todos os dias!


Sei que já venci e vou continuar inspirando a muitos. Tenho força de superação de dentro, já não tenho mais medo de lutar, e morro de rir comigo mesma porque quando coloco algo na cabeça sei que é questão de tempo para conseguir, só DEUS me faz voltar atrás, mais ninguém!


- Chris Joy

August 2018


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