Professores inspiram
- Chris Joy
- 19 de set. de 2018
- 3 min de leitura
Atualizado: 21 de set. de 2018

Transmitir conhecimento de um jeito criativo é para poucos. Um bom grupo de pessoas opta por ser professor, mas não se dá conta de que repassar aprendizado é um dom, incentivar pessoas a olhar a teoria e contextualizar na prática se tornou cada vez mais instigante. Temos que ser criativos, o mundo se tornou exigente. Graças a Deus!!!

Vim da época de que fazer provas era uma questão de "decoreba". Pouco lembro de algumas matérias, e muito menos de alguns professores. Mas guardo com carinho as aulas em que contextualizamos a teoria que estávamos aprendendo, ou o assunto que colocamos em prática.
Então me peguei refletindo...
Eu, como educadora, tenho como papel principal também de incentivar meus alunos explicando-os porque estudam o que estudam, usando a criatividade como meu aliado, e literalmente mudando o sistema de aprendizado tão arcaico no nosso país.

Sim, aprendemos por associação, e aprendemos muito mais rápido e melhor quando colocamos o que aprendemos em prática.

"Feira de conhecimentos" não é para dar brindes, e quase não ouvir os alunos porque estão "falando pra dentro", pouco dominando o assunto, ou pior... ainda lendo no papelzinho.
"Apresentação de trabalho" não é gaguejar na frente de todos, olhando pro fundo da sala e não fixando o olhar em ninguém, sem saber o contexto do trabalho como um todo.
"Aulas de laboratório" não são somente pra vestir jalecos, e sair do ambiente da sala de aula, fazendo "arruaça" e ouvindo o professor dizer: - "nunca mais eu trago vocês pro laboratório!".... (esses três exemplos eu tirei das aulas da minha época, estudei numa das melhores escolas da minha cidade, mas que como algumas escolas hoje em dia ainda repetem o que aprenderam), fico "bege" que ainda não sabem a ferramenta que cada professor tem nas mãos.
SOMOS INCENTIVADORES DE SONHOS. NOSSO PAPEL É DESPERTAR A MENTE. NÃO SABEMOS QUEM ESTAMOS INSPIRANDO, MAS SOMOS MODELOS E SEREMOS OU NÃO LEMBRADOS POR ISSO!
Hoje me deparei numa cena típica. A mãe me chamou pra eu dar aulas particulares pra o filho que não consegue tirar notas altas em inglês. Setembro. Estamos em Setembro. Como professora eu vi o desespero do aluno, que queria dominar a matéria, mas não tinha fé que ía conseguir. O tranquilizei dizendo que se ele se esforçasse dava sim pra tirar uma boa nota... porque descobriríamos o modo como a professora elabora as provas, eu daria também algumas dicas de como entender um texto em inglês (sem traduzir) e estudaríamos juntos o vocabulário. Pronto, é isso! Fácil né?! É O JEITINHO BRASILEIRO DE REMEDIAR. Não prevenimos nada, na maioria das vezes remediamos. #fato
O ideal é que nosso sistema de avaliação mude. Que "bexiga" de prova escrita o tempo todo... quem disse que na prática do dia a dia a gente lembra? Somos seres dotados de inteligência e muitas vezes em sala de aula vemos alunos com múltiplas inteligência. Tem alunos que absorvem o conhecimento ouvindo mais do que outros que só aprendem escrevendo, tem alunos que precisam ver para crer, experimentar, tocar... tem alunos que são mais dotados de dons musicais que os outros, que lembram do assunto com uma simples canção... inteligências essas que se subdividem ainda em corporal, espacial, linguística, interpessoal, naturalista...
Aí a prova é sempre escrita!!!!! Como assim Bial?! Mais fácil né?!
É por isso que muitos jovens entram nas Universidades sem saber o que querem, mudam de curso, não questionam os professores, repetem o conhecimento, anotam mas não sabem nem pra que fazem anotação (será que é só pra estudar pra prova e arquivar depois?!).
Não são treinados como deveriam (desde pequenos) a serem seguros de si, a apresentar um trabalho como alguém que vende um produto, a identificarem o medo e trabalharem cada uma de suas dificuldades...
Não.
Falta direção.
Falta inspiração.
Faltam pessoas capacitadas para exercer o papel de inspiradores (e livre da pressão de coordenação, por favor)
Faltam projetos eficazes, que tirem do papel o aprendizado e que possam nos inspirar a sermos nós mesmos, a exercer a função no mercado de trabalho de um modo responsável, entendemos porque estamos no lugar que estamos, porque fazemos o que fazemos e como exercermos melhor nosso papel na sociedade.

Não estou dizendo que tudo é culpa dos professores, na maioria das vezes temos que entender o contexto para depois ver o que precisa ser mudado. Encontramos alunos que "ainda não querem nada com a vida"... encontramos pais omissos... nos deparamos com muita burocracia nas escolas... ou seja... o contexto ainda deve ser levado em consideração.
Mas nós, como educadores, temos que continuar a incentivar as mentes, mudando o modo como transmitimos conhecimento, forçando o sistema a repensar o "modus operandi".
Chegamos no século 21.
Quando olho pra trás vejo muita evolução, mas ainda não chegamos lá.
A vida é mais prática do que teórica, então... que possamos ser como faróis, como pontes, como abrigos, como flechas!




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